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Olá pessoal!

Continuando nosso papo sobre microbiologia na Série Beleza com Segurança, hoje vamos falar sobre a importância da Lavagem das mãos, Tipos de Riscos e Limpeza, Desinfecção e Esterilização.

Como vimos no artigo anterior, a nossa pele é colonizada de microorganismos. Uma maneira simples de controlar e evitar a transmissão e infecção direta ou cruzada de patógenos, é adotando uma rotina da técnica correta de lavagem das mãos.

Ela deve ser feita sempre antes e após cada atendimento e sempre que se fizer necessário. A técnica correta está nestas imagens abaixo editado pela ANVISA.

lavagem das mãos 1 lavagem das mãos 2

Ou no vídeo completo clicando no aqui.

Riscos

Os riscos são avaliados a partir de uma classificação de acordo com o tipo de trabalho realizado.

Grupo 1: Físico: Ex.: Ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, ultrassom, materiais cortantes e pontiagudos.

Grupo 2: Químico; Substâncias compostas ou produtos que possam penetrar no organismo por via respiratória, nas formas de poeira, fumo, névoa, neblina, gás ou vapor, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.

Grupo 3: Biológico; As bactérias, os fungos, os parasitos, os vírus, entre outros, sendo associados a acidentes de trabalho com fluidos biológicos, como sangue, urina, fezes e secreções.

Grupo 4: Ergonômico; Qualquer fator que possa interferir nas características psicofisiológicas do trabalhador, causando desconforto ou afetando sua saúde. São exemplos de risco ergonômico: o levantamento e o transporte manual de peso, o ritmo excessivo de trabalho, a monotonia, a repetitividade, a responsabilidade excessiva, a postura inadequada de trabalho e o trabalho em turnos.

Grupo 5: Acidentes; Qualquer fator que coloque o trabalhador em situação de perigo, podendo afetar sua integridade, seu bem-estar físico e moral. São exemplos de risco de acidentes: operação de máquinas e equipamentos sem proteção, probabilidade de incêndio e explosão, arranjo físico inadequado e armazenamento de substâncias, soluções em locais inadequados. (BURTON, 2012)

Dentro do grupo de Risco 3 – Biológico, existe uma outra classificação de riscos. 

Classificação de Grupo de Riscos Biológicos:

Classe de Risco 1: quando o agente etiológico, ou seja, causador da doença oferecer um escasso risco individual e comunitário;

Classe de Risco 2: quando o agente etiológico oferecer um risco individual moderado e um risco comunitário limitado;

Classe de Risco 3: quando o agente etiológico oferecer um risco individual elevado e um baixo risco comunitário;

Classe de Risco 4: quando o agente etiológico oferecer um elevado risco individual e comunitário;

Classe de Risco 5: quando o risco de o agente etiológico causar doença animal for grave e o risco de disseminação no meio ambiente for alto. (BURTON, 2012)

Medidas de contenção de riscos

As medidas de contenção de riscos, são realizadas com a  utilização de EPC´s (Equipamentos de Proteção Coletiva) e EPI´s (Equipamentos de Proteção Individual) além das técnicas de antissepsia, esterilização e desinfecção de instrumental.

As seleções do uso de EPI´s são coerentes com as atividades desenvolvidas pelo profissional com objetivo de reduzir o mínimo de exposição dos trabalhadores e meio ambiente.

Dentre elas, destacam-se as:

  • Luvas: barreira de proteção prevenindo a contaminação das mãos e reduzindo a probabilEPI estéticaidade de transmissão de microrganismos durante os procedimentos, mas não deve substituir a lavagem das mãos.
  • Jalecos ou aventais: Reduzem a transmissão de microrganismos e previnem a contaminação das roupas e pele da profissional contra agentes infecciosos e químicos, sendo seu uso restrito ao ambiente de trabalho.
  • Máscaras: Protegem as mucosas da boca e do nariz contra ingestão ou inalação de microrganismos disseminados durante a fala, a tosse, os espirros etc.
  • Toucas: Evitam a queda de cabelos na área do procedimento, evitando a contaminação dos materiais que estão sendo processados, além de evitar a transmissão de microrganismos, servindo de barreira de proteção para a possibilidade de contaminação dos cabelos do atuante.
  • Óculos de Proteção: são utilizados para proteger os olhos contra determinados impactos,
    respingos
    e aerossóis. (BURTON, 2012)

 

Limpeza, Degermação, Desinfecção e Esterilização

É importante saber qual a diferença e o nível de segurança após cada uma destas etapas.

A Limpeza é o ato mecânica, por fricção utilizando água e sabão,  para retirar a sujidade e diminuir a quantidade de microoganismos. Este é sempre o primeiro passo a ser realizado.

A Degermação é a remoção ou redução de microorganismos da pele por meio químico ou mecânico, por exemplo, o uso de álcool gel nas mãos para realizar a antissepsia. Substâncias que são comumente utilizadas, são o álcool 70% e o clorexidina (0,2 a 2%).

***Por falar em antissepsia, você qual a diferença entre ASSEPSIA e ANTISSEPSIA?dúvidas

As duas palavras se referem ao ato de remover ou diminuir a quantidade de microorganismos, No entanto,  palavra Assepsia é utilizado para objetos, coisas inanimadas e Antissepsia, para tecidos vivos. ***

A Desinfecção é a eliminação de todas as bactérias patogênicas vegetativas, incluindo M. tuberculosis, mas não necessariamente vírus e esporos. Segue alguns exemplos:

  • Desinfecção de alto nível (não elimina esporos bacterianos e alguns tipos de vírus): Uso da Solução de Ácido peracético de 0,1 a 02% por imersão do material por 30 minutos.
  • Desinfecção de médio nível (não elimina mycobateriumavium, esporos bacterianos e alguns tipos de vírus): Álcool 70% e hipoclorito de sódio (100ppm).
  • Desinfecção de baixo nível (não elimina M. tuberculosis, esporos bacterianos, vírus da Hepatite B e alguns vírus).

A Esterilização é a eliminação total ou inviabilização de todos os organismos, incluindo os esporos. Pode ser feita de forma física ou química. A forma física de esterilização mais segura é com calor úmido saturado, usando uma autoclave.  O uso das estufas, não são mais recomendadas devido a facilidade de erro no manuseio, comprometendo a segurança do processo. Já não é mais permitido a esterilização por imersão com substâncias químicas.

Rotina e Processos

Todo estabelecimento deve manter um processo e uma rotina com os materiais para garantir que todos sejam limpos de forma adequada.

  1. Pré-lavagem: Nesta primeira etapa, o material que possuir matéria orgânica de difícil remoção, deve ficar imerso em um recipiente plástico ou uma cuba de ultrassom com água e detergente enzimático.
  2. Limpeza: Após, vem a etapa da lavagem com água e sabão neutro com fricção (escova).
  3. Inspeção visual: observar se todos os resíduos visíveis saíram (ex. orifícios das curetas).
  4. Enxague: com água corrente em abundância.
  5. Secagem: preferencialmente com papel toalha.
  6. Desinfecção ou esterilização: somente nesta etapa o material está pronto para ser preparado para o processo de desinfecção ou esterilização adequado para cada caso.

Termos e definições

Antimicrobiano – agente que mata microrganismos ou impede o seu desenvolvimento e multiplicação;
Antissepsia – uso em tecido vivo de uma substância bactericida ou bacteriostática capaz de impedir a proliferação de microrganismos;
Área crítica – áreas de procedimentos onde o risco de contato com sangue ou secreções humanas seja concreto;
Área semi-crítica – áreas onde transitam pacientes e materiais sem o risco iminente de contato com secreções corpóreas;
Artigo descartável – é o produto que, após o uso, perde suas características originais não deve ser reutilizado e nem reprocessado;
Assepsia – é o método empregado para impedir que determinado meio seja contaminado;
Contaminação – ato de sujar objetos inanimados ou matéria viva com material danoso, potencialmente infeccioso ou indesejável;
Degermação – remoção ou redução de microorganismos da pele por meio químico ou mecânico;
DescontaminaçãoRemoção parcial do número de microorganismos existentes em um determinado material;
Desinfecção – eliminação de todas as bactérias patogênicas vegetativas, incluindo M. tuberculosis, mas não necessariamente vírus e esporos;
EPC – Equipamento de Proteção Coletiva: estufa, autoclave, luvas, vacinas, ar-condicionado, exaustor, sinalização, etc.;
EPI – Equipamento de Proteção Individual: materiais e equipamentos empregados para proteger as pessoas do contato direto com agentes biológicos, químicos, físicos e outros (máscaras, gorros, óculos, avental ou jalecos com mangas, luvas de borracha, luvas de látex, etc.);
Esterilização – eliminação total ou inviabilização de todos os organismos, incluindo os esporos;
Fonte de infecção – onde os microorganismos patogênicos estão em crescimento ou já cresceram e de onde são transmitidos aos pacientes;
Hamper – saco ou vasilhame onde se deposita toalhas e lençóis utilizados;
Infecção – é o resultado da penetração, aderência e multiplicação de um agente infeccioso específico no organismo humano ou animal onde possam causar efeitos adversos. A transmissão pode ocorrer por contato direto dos tecidos com líquidos biológicos infectados, inalação de partículas aerossóis e inoculadas através de bordas cortantes e instrumentos contaminados;
Infecção cruzada – é a infecção causada pela transmissão de microorganismos de um indivíduo para o outro;
Limpeza – procedimento de higiene utilizando água, sabão e ação mecânica (escovação e fricção) com a finalidade de eliminar toda a sujeira e reduzir o número de microrganismos presentes;
Material perfurocortante – materiais pontiagudos, fragmentos de vidro e agulhas;
Resíduo – qualquer material para o qual não há mais uso futuro. Pode resultar de produtos ou materiais biológicos e químicos ou de atividades institucionais ou domésticas;
Resíduo Biológico – resíduo que contém ou pode conter patógenos de virulência e quantidade suficientes, de modo que a exposição ao resíduo por um hospedeiro susceptível possa resultar em uma doença;
Resíduo perfurocortante – materiais que podem perfurar, cortar, dilacerar a pele durante o manuseio;
Segregação – operação de separação dos resíduos no momento e local de geração;
Sepse – presença de inflamação, formação de pus e outros sinais, em lesões colonizadas por microrganismos.

Depois de tantas informações importantes, vamos começar a aplicar no nosso dia a dia e adaptar nossa rotina de trabalho. A partir do próximo artigo, vou falar especificamente sobre cada área da beleza e os cuidados necessários pertinentes a elas.

Espero poder ajudar e aguardo seus comentários, dúvidas, sugestões.

Aproveite e compartilhe com seus amigos e vamos fazer do nosso ambiente de trabalho um lugar seguro. Afinal, estamos falando de #BelezaComSegurança 😉

Abraço,

Letícia Valim

 

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Referências

Dias, Letícia C. Valim; CAMINADA, Leandro, D. Manual de Biossegurança Para os Laboratórios de Estética. São Paulo: Centro Universitário Senac, 2014.

Burton, Gwendolyn – Engelkirk, Paul. Microbiologia Para Ciências da Saúde. São Paulo: Ed Guanabara, 9 ed., 2012.

Salvatierra, Clabijo Mérida. Microbiologia – Aspectos Morfológicos, Bioquímicos e Metodológicos. São Paulo: Ed. Erica, 2014.

Tortora, Gerard J. Corpo Humano – Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. São Paulo: Editora Artmed Ano, 2000.

https://c.ymcdn.com/sites/osap.site-ym.com/resource/resmgr/Docs/RDC_33_2010_saneantes.pdf

http://www.anvisa.gov.br/hotsite/higienizacao_maos/tecnicas.htm

 

 

Imagens internet

http://maescomadres.com.br/wp-content/uploads/2015/04/trabalho-maternidade.jpg

https://portaldaesteticista.files.wordpress.com/2013/04/estetica-25.jpg

http://portal.vpgroup.com.br/imagem/odonto-magazine/capa-noticia/biosseguranca-em-odontologia–12-8-2014-11-47-38-335.jpg

 

3 Comentários

  1. Alexandra Gomes de Souza disse:

    Aprendizado contínuo sempre.
    Boa observação sobre a diferença entre os termos assepsia e antissepsia .
    Pois, no dia a dia não nos atentamos a esses pequenos detalhes que fazem total diferença em um trabalho de qualidade!

  2. ANDREA REGINA DE FREITAS disse:

    Oi Leticia, estou iniciando meu trabalho com design de sobrancelhas e me preocupo muito com a questão da esterilização das pinças. Estou adquirindo uma estufa (por enquanto), pois uma autoclave (que e o que desejo) tem um custo muito elevado. O que você me diz sobre isso? Sei que a estufa não e tão eficiente quanto a autoclave.
    Tem algum procedimento que posso estar executando pra uma maior satisfação na esterilização com a estufa? Ou no meu caso somente a autoclave?

    Aguardo.

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